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Site para advogados que capta clientes: o que precisa ter, o que a OAB permite e como usar IA para montar

As páginas que não podem faltar, o que o Provimento 205 proíbe, como o site aparece no Google e nos assistentes de IA, e como a inteligência artificial acelera a montagem sem tirar o advogado da revisão.

Por Danilo Superbi7 min de leitura

Mãos de mulher de blazer bege digitando no notebook, com celular e documentos sobre a mesa
Imagem ilustrativa. Banco de imagens Magnific

Quem procura um advogado pelo Google quase sempre termina num site. E é ali, em poucos segundos, que a pessoa decide se manda mensagem ou volta para a busca. Um site para advogados que capta clientes não é o mais bonito nem o mais caro: é o que explica com clareza o que o escritório faz, responde as dúvidas de quem chegou e deixa o contato a um toque de distância, tudo dentro das regras da OAB.

Este guia mostra as páginas que não podem faltar, o que o Provimento 205/2021 proíbe, como o site aparece no Google e nos assistentes de IA, e como usar a inteligência artificial para montar tudo mais rápido, sem tirar o advogado da revisão.

Advogado pode ter site?

Pode. O art. 44, § 1º, do Código de Ética e Disciplina da OAB lista o site e a página eletrônica entre as informações que o advogado pode divulgar, ao lado de endereço, e-mail, QR code, logotipo, fotografia do escritório, horário de atendimento e idiomas.

O site é publicidade profissional, então vale a regra geral do art. 39: caráter informativo, discrição e sobriedade, sem captação de clientela nem mercantilização. Na prática, o site informa e esclarece. Quem decide entrar em contato é o visitante.

As 7 páginas e elementos que todo site de advogado precisa ter

1. Identificação completa

Nome do advogado ou da sociedade e número de inscrição na OAB, no rodapé de todas as páginas. É a exigência do art. 44 do Código de Ética para toda publicidade profissional, e também passa confiança para quem chegou pela primeira vez.

2. Uma página por área de atuação

“Direito de família”, “direito previdenciário”, “direito trabalhista”. Cada área com a sua página, explicando os tipos de situação que o escritório atende, como funciona o trabalho e quais documentos costumam ser necessários. Uma página única com todas as áreas listadas não ajuda o visitante nem o Google.

3. Uma página por problema que traz mais contatos

Além da área, crie páginas para os problemas mais buscados: “aposentadoria negada pelo INSS”, “pensão alimentícia atrasada”, “rescisão sem pagamento das verbas”. É para elas que você leva os anúncios do Google, como explicamos no guia de como conseguir clientes na advocacia pela internet.

4. Página “Sobre” com informações verdadeiras

Formação, títulos acadêmicos, instituições de que faz parte e as áreas a que se dedica. O Provimento 205 permite a identificação com qualificação e títulos verdadeiros e comprováveis. Cuidado com a palavra “especialista”: o art. 3º, III, proíbe anunciar especialidade sem título certificado ou notória especialização.

5. Artigos que respondem dúvidas reais

Textos que explicam direitos, prazos e mudanças na lei. São eles que trazem visitas do Google sem pagar por clique e que os assistentes de IA leem e citam. O Anexo Único do Provimento 205 pede que esse conteúdo tenha caráter técnico e informativo, sem divulgar resultados, clientes, valores ou gratuidade.

6. Contato claro em todas as páginas

Botão de WhatsApp, telefone, e-mail e um formulário curto, com nome, telefone, cidade e um resumo da situação. Cada campo a mais é uma pessoa a menos que termina o envio. Para organizar o que acontece depois que a mensagem chega, veja o guia de atendimento jurídico pelo WhatsApp.

7. Política de privacidade e aviso de cookies

Se o site tem formulário ou ferramentas de medição, ele trata dados pessoais e precisa seguir a LGPD (Lei 13.709/2018): dizer quais dados coleta, para quê, por quanto tempo guarda e quem é o encarregado. As ferramentas de medição e de anúncios só devem ser ativadas depois do aceite do visitante.

O que a OAB proíbe no site do escritório

O Provimento 205 e o Código de Ética valem para o site como para qualquer outra publicidade. Os erros mais comuns:

  • Preço, consulta grátis e desconto. O art. 3º, I, veda a referência a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou descontos como forma de captação.
  • Promessa de resultado e casos concretos. O art. 6º proíbe a promessa de resultados e o uso de casos concretos para oferecer atuação profissional. Isso inclui “ganhamos 95% das causas” e prints de decisões favoráveis.
  • Autoelogio e comparação. “O melhor escritório de direito de família”, “o mais rápido da cidade”. O art. 3º, IV, proíbe expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação.
  • Frases que empurram para o processo. “Não perca seu direito, entre na Justiça hoje” incita o litígio, o que o § 1º do art. 3º não permite.
  • Selos de ranking pagos e logomarca da OAB. O art. 5º veda pagar para aparecer em rankings e prêmios e usar símbolos oficiais da Ordem.
  • Ostentação. Carro, viagem e bens de consumo ficam fora de qualquer publicidade (art. 6º, parágrafo único).

Fotos do escritório, da equipe e a identidade visual são permitidas (art. 5º, § 2º). Para a lista completa, veja o nosso guia sobre o que pode e o que não pode pelo Provimento 205.

Um aviso: a revisão do Provimento 205 está em andamento no Conselho Federal, mas o texto novo ainda não foi publicado até a data deste artigo. As regras acima são as que valem hoje.

Como o site aparece no Google

O guia de SEO do Google para iniciantes resume o essencial, e quase tudo se aplica ao site de advogado:

  • Título e descrição próprios em cada página, claros e com o problema que a página resolve.
  • Endereços legíveis, como /familia/pensao-alimenticia-atrasada, em vez de números e códigos.
  • Conteúdo útil e original, escrito para as pessoas, atualizado e confiável. O Google recomenda antecipar os termos que o leitor usa para buscar, e é por isso que o artigo deve falar “pensão atrasada”, e não só “inadimplemento de obrigação alimentar”.
  • Links internos com texto descritivo, ligando a página da área às páginas de problema e aos artigos.
  • Imagens nítidas com texto alternativo que descreve a foto.

Some a isso o que pesa para quem chega pelo celular, que é a maioria: página leve, texto legível sem dar zoom e botão de contato visível sem rolar a tela.

Como usar IA para montar o site

A inteligência artificial encurta semanas de trabalho em dias. O advogado continua responsável pelo que vai ao ar, e por isso cada etapa termina numa revisão humana.

  1. Mapa do site. Descreva para a IA as áreas do escritório, a cidade e o tipo de cliente, e peça uma lista de páginas por área e por problema. Depois, confira no autocompletar do Google se as pessoas buscam aqueles termos.
  2. Primeira versão dos textos. Peça um rascunho de cada página com linguagem simples, documentos necessários e perguntas frequentes. Corrija o que estiver juridicamente impreciso: a IA erra lei, prazo e jurisprudência.
  3. Revisão pelo Provimento 205. Cole o texto e peça à IA que aponte preço, gratuidade, promessa de resultado, autoelogio, comparação e frases que incitem o litígio. É um filtro inicial, e não substitui a sua leitura.
  4. Títulos, descrições e textos alternativos. A IA escreve em segundos o título e a descrição de cada página e o texto alternativo das fotos, a partir do conteúdo que você aprovou.
  5. Construtores com IA. Várias plataformas já montam o layout a partir de uma descrição. Escolha uma que permita domínio próprio, páginas ilimitadas, formulário e medição.

Dois cuidados: não coloque dados de clientes nas ferramentas de IA, como orienta a Recomendação 001/2024 da OAB, e tire o tom genérico dos textos. Site com cara de texto automático afasta o visitante e não se diferencia de nenhum concorrente.

Chatbot com IA no site

O Anexo Único do Provimento 205 permite usar chatbot para facilitar a comunicação: responder as primeiras dúvidas, explicar como o escritório atua e coletar dados e documentos. O limite é não afastar a pessoalidade do serviço nem suprimir o poder decisório do advogado, e o mesmo Anexo proíbe aplicativos que respondem consultas jurídicas de forma indiscriminada a não clientes. Configure o assistente para informar e agendar, nunca para dar parecer sobre o caso.

Como o site aparece nas respostas dos assistentes de IA

Cada vez mais gente descreve o próprio problema ao ChatGPT ou ao Gemini antes de procurar um advogado. As respostas se apoiam no que esses assistentes encontram na internet. Um site com uma página por área, perguntas e respostas diretas, base legal citada e os mesmos dados de contato do Perfil da Empresa no Google tem mais chance de ser lido e citado. Teste todo mês: pergunte a dois ou três assistentes o que o seu cliente perguntaria e veja quais fontes aparecem.

Como saber se o site está captando

Site sem medição é um cartão de visita caro. Configure o Google Analytics e as conversões dos anúncios para contar cliques no WhatsApp e formulários enviados, sempre depois do aceite de cookies. Uma vez por mês, olhe quais páginas trouxeram contatos e quais não trouxeram nenhum, e reescreva primeiro as que recebem visitas e não convertem.

Se você quer um retrato de como está a captação do seu escritório hoje, do site aos anúncios, faça o Diagnóstico do Escritório.

Checklist rápido do site para advogados

  • Nome e número da OAB no rodapé
  • Uma página por área e uma por problema principal
  • Página “Sobre” sem “especialista” sem título
  • Artigos que respondem dúvidas reais
  • WhatsApp e formulário curto em todas as páginas
  • Política de privacidade e aviso de cookies
  • Nenhum preço, gratuidade, promessa de resultado ou autoelogio
  • Título, descrição e texto alternativo em cada página
  • Medição de contatos ativa e revisada todo mês

Um site para advogados que capta clientes é a soma desses cuidados. A IA ajuda a construir mais rápido, e a revisão do advogado mantém tudo dentro das regras da OAB.

Perguntas frequentes

Advogado pode ter site?

Pode. O Código de Ética da OAB cita expressamente o site e a página eletrônica entre as informações que o advogado pode divulgar (art. 44, § 1º). O conteúdo segue as mesmas regras de qualquer publicidade da advocacia: informativo, sóbrio e sem captação de clientela.

O que é obrigatório no site de um advogado?

O nome do advogado ou da sociedade e o número de inscrição na OAB, como exige o art. 44 do Código de Ética para toda publicidade profissional. Se o site coleta dados de visitantes, como num formulário, também precisa de uma política de privacidade, por causa da LGPD.

Posso colocar depoimentos de clientes no site do escritório?

O Provimento 205 proíbe a menção a resultados e o uso de casos concretos para oferecer atuação profissional. Depoimentos que falam de causa ganha ou de valor recebido esbarram nessa regra, então o mais seguro é não usar e, na dúvida, consultar o Tribunal de Ética da sua seccional.

Posso usar chatbot com IA no site do escritório?

Pode, para responder as primeiras dúvidas, explicar como o escritório atua e coletar dados e documentos, como prevê o Anexo Único do Provimento 205. O chatbot não pode substituir o advogado, dar parecer sobre o caso nem responder consultas jurídicas de forma indiscriminada.

Site gratuito serve para advogado?

Serve para começar, desde que tenha domínio próprio, carregue rápido no celular e permita criar uma página por área e por problema. O que costuma limitar os construtores gratuitos é a medição de contatos e a velocidade, que pesam quando o site passa a receber visitas de anúncios.

Fontes

Foto de Danilo Superbi

Quem escreveu

Danilo Superbi

Sócio-diretor da ElevateLaw

  • Administrador pela UFV
  • Estrategista de Marcas
  • Especialista em Planejamento Estratégico de Marketing
  • MBA em Gestão Financeira pela FGV
  • Mestrado em Negócios Internacionais
  • + 20 anos de experiência em Estratégia e Gestão Empresarial

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