Justiça em Números 2026: recorde de 40,9 milhões de processos novos. O que os dados do CNJ mostram para o escritório e o papel da IA nos tribunais
O Judiciário recebeu o maior volume de casos novos da série histórica e, mesmo assim, reduziu o estoque. Veja os números do relatório do CNJ que mais afetam o dia a dia do advogado e onde a inteligência artificial entra nessa conta.
Por Jamila Guerra5 min de leitura

O Justiça em Números 2026, relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra que o Judiciário recebeu 40,9 milhões de processos novos em 2025, o maior volume da série histórica iniciada em 2009. Mesmo assim, o estoque caiu: o ano terminou com 75,5 milhões de processos em tramitação, 3,4 milhões a menos que em 2024. Os dados foram apresentados pelo CNJ em 23/06/2026.
A busca por “justiça em números 2026” continua ativa no Google, com variações como “relatório” e “pdf”. Os números ajudam o escritório a entender o mercado em que atua: quanto tempo os processos levam, onde há mais acordo e como os tribunais estão dando conta do volume. Este guia resume os dados que mais importam para o advogado e mostra onde a inteligência artificial entra.
O que é o Justiça em Números
O Justiça em Números é o principal relatório de estatísticas oficiais do Poder Judiciário brasileiro, publicado todo ano pelo CNJ. Ele reúne dados de todos os tribunais sobre casos novos, processos pendentes, tempo de tramitação, produtividade, conciliação, despesas e arrecadação. A edição de 2026 traz os dados do ano de 2025.
Justiça em Números 2026: os principais números
Estes são os dados do Justiça em Números 2026 divulgados pelo CNJ:
| Indicador (2025) | Resultado |
|---|---|
| Casos novos | 40,9 milhões (recorde da série) |
| Processos em tramitação no fim do ano | 75,5 milhões (queda de 4,3%) |
| Índice de Atendimento à Demanda | 110,4% |
| Taxa de congestionamento | 62,6% |
| Taxa de congestionamento líquida | 56,6% (menor da série) |
| Tempo médio dos processos baixados | 2 anos e 4 meses |
| Tempo médio dos processos pendentes | 3 anos e 7 meses |
| Processos resolvidos por conciliação | 11,2% |
| Processos baixados por magistrado | 2.366 |
O Índice de Atendimento à Demanda de 110,4% quer dizer que, para cada 100 processos que entraram em 2025, cerca de 110 foram baixados. Por isso o estoque caiu mesmo com a demanda em alta.
A taxa de congestionamento é a proporção de processos que ficaram pendentes no fim do ano em relação a tudo o que tramitou. A taxa líquida tira da conta os processos suspensos, sobrestados ou em arquivo provisório.
Por que o estoque caiu: as execuções fiscais
Segundo o CNJ, as execuções fiscais tiveram papel relevante na queda do estoque. Esse tipo de processo caiu 4,4 milhões de casos em 2025, uma redução de 21,3%, principalmente na Justiça Estadual.
As execuções fiscais ainda pesam muito no sistema:
- Representam cerca de 22% dos casos pendentes e 45% das execuções pendentes.
- Têm taxa de congestionamento de 72,4%.
- Levam em média 8 anos e 2 meses até a baixa.
Sem as execuções fiscais, o tempo médio dos processos baixados cairia de 2 anos e 4 meses para 1 ano e 6 meses, segundo o relatório.
O que os dados do Justiça em Números 2026 mostram para o escritório
Os números do Justiça em Números 2026 têm leitura prática para quem advoga:
- Mais demanda, mais concorrência. O recorde de 40,9 milhões de casos novos mostra um mercado grande, mas também disputado. O escritório que se organiza para atender bem tende a se destacar.
- Prazo realista para o cliente. O tempo médio de 2 anos e 4 meses para os processos baixados ajuda a alinhar expectativas no primeiro atendimento, sem prometer prazo, porque cada caso tem a sua realidade.
- Acordo é caminho relevante em algumas áreas. A conciliação resolveu 11,2% dos processos em 2025, mas chegou a 38% na fase de conhecimento da Justiça do Trabalho e a 28% na execução de títulos extrajudiciais não fiscais na Justiça Estadual.
- Custas e gratuidade. Segundo o CNJ, cerca de metade das ações tramita sem cobrança de custas, seja por serem criminais ou de juizados, seja pela assistência judiciária gratuita. A informação ajuda na hora de explicar os custos ao cliente.
Onde a inteligência artificial entra nessa conta
A produtividade do Judiciário brasileiro é alta na comparação internacional. Segundo o Justiça em Números 2026, cada magistrado ativo baixou em média 2.366 processos em 2025, contra 252 nos países europeus acompanhados pela Cepej. O Brasil tem 8,9 magistrados por cem mil habitantes, metade da média europeia, e uma demanda por Justiça 4,18 vezes maior.
Com esse volume, a inteligência artificial virou ferramenta de gestão nos tribunais, em tarefas como triagem de processos e apoio à elaboração de minutas. O uso é regulado pela Resolução 615/2025 do CNJ, que permite a IA como apoio e mantém o juiz responsável pela decisão. O portal já explicou o que a Resolução 615 permite e proíbe.
Do lado dos escritórios, a lógica é parecida. Ferramentas de IA jurídica já leem decisões por tese, tema ou empresa e organizam relatórios a partir do volume de processos. Para o escritório, os usos mais comuns são:
- Acompanhar publicações e prazos de muitos processos ao mesmo tempo.
- Pesquisar jurisprudência e organizar teses, sempre conferindo cada decisão na fonte oficial.
- Montar relatórios de andamento para o cliente.
O cuidado é o mesmo de sempre: dados de clientes só em ferramentas com contrato de confidencialidade, e toda informação gerada por IA conferida por um advogado. Para comparar opções, veja o guia do portal sobre qual é a melhor IA para advogados.
Onde encontrar o relatório completo
A íntegra do Justiça em Números 2026 está no site do CNJ, na página de pesquisas judiciárias. Além do relatório em PDF, o CNJ oferece um painel interativo com dados por tribunal, ramo da Justiça e classe processual, útil para quem quer olhar a realidade da própria comarca ou área.
Conclusão
O Justiça em Números 2026 mostra um Judiciário com demanda recorde, 40,9 milhões de casos novos, e estoque em queda, com 75,5 milhões de processos em tramitação. Para o escritório, os dados ajudam a explicar prazos e custos ao cliente, a enxergar onde o acordo é mais comum e a entender por que a tecnologia, incluindo a inteligência artificial, virou parte da rotina dos tribunais e da advocacia.
Se você quer entender como o seu escritório está se organizando para esse volume, do atendimento à gestão de processos, faça o Diagnóstico do Escritório.
Perguntas frequentes
O que é o relatório Justiça em Números?
É o principal relatório de estatísticas oficiais do Poder Judiciário, publicado todo ano pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele reúne dados de todos os tribunais sobre casos novos, estoque, tempo de tramitação, produtividade, conciliação e despesas.
Quantos processos novos entraram na Justiça em 2025?
Segundo o Justiça em Números 2026, do CNJ, ingressaram 40,9 milhões de processos em 2025, 1,4 milhão a mais que em 2024. É o maior volume de casos novos da série histórica, iniciada em 2009.
Quantos processos estão em tramitação no Brasil?
O Judiciário encerrou 2025 com 75,5 milhões de processos em tramitação, segundo o Justiça em Números 2026. O número é 3,4 milhões menor que o do ano anterior, uma queda de 4,3%.
Quanto tempo dura um processo no Brasil?
Segundo o Justiça em Números 2026, o tempo médio dos processos baixados em 2025 foi de 2 anos e 4 meses. Os processos ainda pendentes tinham duração média de 3 anos e 7 meses.
Fontes

Jamila Guerra
Sócia-diretora da ElevateLaw
- Graduada em Direito pela UFV
- Master em Branding pela ESPM
- Pós em Gestão Estratégica de Marketing pela HSM
- MBA em Negócios Financeiros pela PUC Rio
- + 6 anos coordenando uma Assessoria de Marketing
- + 6 anos de recorrência com cliente da advocacia



