Pular para o conteúdo
Para advogados de todo o BrasilFazer o diagnóstico do escritório
ElevateLaw

O Portal da Advocacia

Atendimento e relacionamento com clientes

Consulta jurídica online: como atender por videochamada, cobrar a consulta e usar IA na triagem sem ferir a OAB

Como organizar a consulta por vídeo do agendamento ao registro, por que a consulta deve ser cobrada, o que a OAB diz sobre 'consulta grátis' e até onde a inteligência artificial pode ir na triagem.

Por Danilo Superbi6 min de leitura

Advogado de terno e fone de ouvido em videochamada com cliente na tela do notebook
Imagem ilustrativa. Banco de imagens Magnific

O cliente que manda mensagem às nove da noite perguntando se “dá para conversar por vídeo amanhã” não é exceção. Para muita gente, a consulta jurídica online é o jeito mais simples de falar com um advogado: sem deslocamento, sem tirar o dia de folga, do celular. Para o escritório, ela amplia o alcance para outras cidades e organiza a agenda. Mas atender por vídeo pede o mesmo cuidado do atendimento presencial com sigilo, honorários e publicidade, e alguns cuidados a mais.

Este guia mostra como organizar a consulta online do agendamento ao registro, por que ela deve ser cobrada, o que a OAB diz sobre “consulta grátis” e até onde a inteligência artificial pode ir na triagem.

Advogado pode atender por videochamada?

Pode. Nenhuma norma da OAB exige que a consulta seja presencial. A tabela de honorários da OAB-SP, por exemplo, incluiu em abril de 2020 um item sobre atendimento virtual e eletrônico, aprovado em sessão do Conselho Seccional.

O que muda é o meio, não as regras. O Código de Ética continua valendo inteiro: o sigilo profissional é de ordem pública, independe de pedido do cliente, e “presumem-se confidenciais as comunicações de qualquer natureza entre advogado e cliente” (art. 36, § 1º). Uma conversa por vídeo é uma dessas comunicações.

Como organizar a consulta online em 6 passos

1. Agendamento com informação clara

Defina dias e horários fixos para consultas online e use uma agenda que envie confirmação e lembrete. Na confirmação, informe: a data, o tempo previsto, o link, os documentos que a pessoa deve separar e o valor da consulta e a forma de pagamento. Essa última informação vai na conversa individual, para quem já pediu o atendimento, e não em anúncio ou post.

2. Triagem antes da chamada

Um formulário curto ou uma conversa no WhatsApp antes da consulta poupa metade do tempo da chamada. Pergunte o básico: nome, cidade, área do problema, um resumo da situação e se há prazo correndo. Peça os documentos com antecedência. É nesta etapa que a IA pode ajudar, como explicamos abaixo.

3. Ferramenta de vídeo segura

Prefira plataformas conhecidas, com sala protegida por senha ou sala de espera, e use a conta profissional do escritório. Evite links fixos reaproveitados para vários clientes. Para os primeiros contatos pelo WhatsApp, veja o guia de atendimento jurídico pelo WhatsApp.

4. Ambiente da consulta

Do lado do advogado: lugar silencioso, sem outras pessoas ouvindo, fone de ouvido e tela sem documentos de outros clientes à vista. Do lado do cliente, vale perguntar no começo se ele está num lugar onde pode falar à vontade. Em casos de família ou de violência doméstica, isso muda a conversa.

5. Condução da consulta

Comece explicando como a consulta funciona e quanto tempo vai durar. Ouça, faça as perguntas que faria pessoalmente e, no fim, diga com clareza quais são os próximos passos possíveis, sem prometer resultado. Se o caso exigir análise de documentos que não chegaram, diga isso e combine o retorno.

6. Registro depois da chamada

Envie um resumo escrito: o que foi conversado, os documentos pendentes e, se for o caso, a proposta de honorários para o serviço. O resumo evita mal-entendidos e serve de base para o contrato. Para essa etapa, veja o guia de contrato de honorários advocatícios.

Consulta online deve ser cobrada?

Deve. A tabela de honorários da OAB-SP diz que “é aconselhável” que o advogado cobre sempre a consulta quando uma matéria jurídica lhe for apresentada, e que o valor pode ou não ser abatido dos honorários se o serviço for contratado, a critério das partes. As tabelas das outras seccionais também trazem valor mínimo para a consulta. Consulte a da sua.

A consulta online não é uma consulta “menor”. Você estuda o caso, orienta e assume a responsabilidade pelo que diz, exatamente como no escritório. Cobrar a consulta também filtra os contatos: quem paga para conversar costuma chegar com os documentos separados e a decisão mais madura.

“Consulta online grátis”: o que a OAB proíbe

O art. 3º, I, do Provimento 205/2021 veda a “referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou descontos e reduções de preços como forma de captação de clientes”. Isso significa:

  • Não pode anunciar “consulta online grátis”, “primeira consulta sem custo” ou “consulta por R$ X” em anúncio, site, bio ou post.
  • Não pode usar a consulta gratuita como chamariz em campanha de WhatsApp ou de redes sociais.
  • Pode informar o valor e a forma de pagamento na conversa individual com quem pediu o atendimento.

O Anexo Único também lembra que a criação de conteúdo não pode divulgar valores ou gratuidade. Para as regras gerais de publicidade, veja o guia sobre o que pode e o que não pode pelo Provimento 205.

Como usar IA na triagem da consulta online

A inteligência artificial pode tirar do advogado o trabalho repetitivo da triagem, desde que fique do lado certo da linha que a OAB traçou.

O que a IA pode fazer

O Anexo Único do Provimento 205 permite o chatbot “para o fim de facilitar a comunicação ou melhorar a prestação de serviços jurídicos”. Na prática:

  • Responder as primeiras dúvidas sobre como o escritório atende, horários e documentos.
  • Coletar nome, cidade, área do problema e um resumo da situação.
  • Receber documentos e organizar o que chegou.
  • Agendar a consulta e enviar lembretes.
  • Depois da consulta, transcrever as suas anotações e propor um rascunho do resumo, que você revisa antes de enviar.

O que a IA não pode fazer

  • Orientar sobre o caso. O mesmo Anexo proíbe aplicativos que respondem automaticamente consultas jurídicas a não clientes, porque suprimem a imagem, o poder decisório e a responsabilidade do advogado.
  • Fingir ser uma pessoa. A Recomendação 001/2024 do Conselho Federal orienta informar de forma transparente que o interlocutor é uma máquina.
  • Receber dados sem cuidado. Escolha ferramentas que não usem os dados para treinamento e tenham medidas de segurança, como pede a mesma recomendação. Se a conversa for gravada ou transcrita, o cliente precisa saber.

Configure o assistente para dizer, sempre que a pergunta for sobre o caso: “essa análise é feita pelo advogado na consulta”.

Sigilo e LGPD na consulta por vídeo

Além do Código de Ética, a consulta online trata dados pessoais e, muitas vezes, dados sensíveis, como saúde e vida familiar. A LGPD (Lei 13.709/2018) pede que o escritório informe para que usa os dados, guarde só o necessário e proteja o que guarda. Na prática:

  • Não grave a consulta sem consentimento expresso, pedido antes de começar.
  • Guarde documentos recebidos numa pasta segura do escritório, e não no celular pessoal.
  • Apague da conversa de WhatsApp os arquivos que já foram salvos no lugar certo.
  • Tenha uma política de privacidade no site e no formulário de agendamento.

Se você quer saber como está o atendimento do seu escritório, do primeiro contato à consulta, faça o Diagnóstico do Escritório.

Checklist da consulta jurídica online

  • Agenda com dias fixos, confirmação e lembrete
  • Formulário de triagem e documentos antes da chamada
  • Plataforma segura, sala com senha ou sala de espera
  • Ambiente silencioso e sem outros clientes na tela
  • Valor e forma de pagamento só na conversa individual
  • Nenhum “consulta grátis” em anúncio, site ou rede social
  • IA para agendar e coletar dados, nunca para orientar o caso
  • Gravação só com consentimento expresso
  • Resumo escrito enviado depois da consulta

A consulta jurídica online aproxima o escritório de quem precisa de orientação, onde quer que a pessoa esteja. A IA cuida da parte repetitiva da triagem, e o advogado continua responsável por cada orientação dada.

Perguntas frequentes

Advogado pode fazer consulta online?

Pode. Nenhuma norma da OAB exige que a consulta seja presencial, e a tabela de honorários da OAB-SP, por exemplo, ganhou em 2020 um item específico sobre atendimento virtual e eletrônico. As regras de sigilo, honorários e publicidade são as mesmas da consulta no escritório.

Consulta jurídica online gratuita é permitida?

O advogado pode, em situações específicas, decidir não cobrar de alguém. O que o Provimento 205/2021 proíbe é anunciar gratuidade como forma de captar clientes (art. 3º, I). Por isso, 'consulta online grátis' não pode aparecer em anúncio, site ou rede social.

Quanto cobrar por uma consulta jurídica online?

A referência é a tabela de honorários da sua seccional, que traz valor mínimo para a consulta. A tabela da OAB-SP recomenda cobrar sempre a consulta e permite abater o valor dos honorários se o caso for contratado, a critério das partes.

A IA pode fazer a triagem do cliente antes da consulta?

Pode coletar dados, documentos e explicar como o atendimento funciona, como permite o Anexo Único do Provimento 205 para chatbots. Não pode dar orientação sobre o caso nem responder consultas jurídicas de forma automática, e a pessoa deve saber que está falando com uma máquina.

Posso gravar a consulta por vídeo?

Só com o consentimento expresso do cliente, informado antes de começar, e com a gravação guardada com o mesmo cuidado de qualquer documento sigiloso. Na maioria dos casos, um resumo escrito enviado depois da consulta resolve melhor e expõe menos dados.

Fontes

Foto de Danilo Superbi

Quem escreveu

Danilo Superbi

Sócio-diretor da ElevateLaw

  • Administrador pela UFV
  • Estrategista de Marcas
  • Especialista em Planejamento Estratégico de Marketing
  • MBA em Gestão Financeira pela FGV
  • Mestrado em Negócios Internacionais
  • + 20 anos de experiência em Estratégia e Gestão Empresarial

Continue lendo